Writings

repetição

(exposição na galeria Sá da Costa)

Os desenhos e as esculturas presentes na exposição são o resultado de gestos performativos repetidos até à exaustão do corpo; é nesse ponto que o gesto encontra um ambiente de abandono produtivo – a repetição, ela própria, que se torna método e estilo.

A resiliência física adquire-se ao longo deste processo.

O acidental e o impreciso dão sentido ao desconforto, compondo nuances, aceitando desvios, desafiando a perícia. Creio por isso, que riscar, embeber, deixar escorrer, sobrepor, gestos realizados horas a fio, disfarçam uma procura permanente do depois, uma ansiedade perante o todo diverso, o imperativo de afastar comportamentos e regulamentos.

No meu caso, creio que a máquina não conduz este processo tão bem como o corpo que se transforma em máquina.