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2018 / Performance Dripping – dias 8, 10 e 11 de Fevereiro

“Dripping” uma performance de Marta Sampaio Soares

Quinta-feira 8 de Fevereiro a partir das 21h, Sábado 10 de Fevereiro a partir das 18h, Domingo 11 de Fevereiro a partir das 17h

Duração aproximada da performance: 1h

Entrada livre

Na galeria A Montanha

Rua Lucinda Simões 2 (perto do Mercado de Arroios) | Metro: Alameda, Arroios

Dripping 8 Low

A performance “Dripping” de Marta Sampaio Soares nasce do gesto que se repete na criação de uma obra de arte ou de um elemento artístico, como pode acontecer num atelier.

O corpo que repete o gesto até à exaustão dá corpo a uma outra forma, constrói um outro corpo, cada um espelhando o outro, reflectindo o gesto e a intenção, a obra de arte estando tanto no objeto que se constrói, camada após camada, como no gesto.

O gesto e o objeto tornam-se também desenhos no espaço, demarcados, além disto, pelas cores.

 Em todos estes elementos e no processo há o factor do acidente e do imprevisto, que com esta performance é trazido do atelier para a galeria. E se bem que com o gesto repetitivo forma-se matéria e técnica, o que está igualmente presente na performance, na repetição do gesto e na obra de arte, é um estado emocional.

 

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2017 / Lisbon Open Studios – 8º edição da Abertura de Ateliês de Artistas

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3th floor, Transboavista Building – 13 e 14 Oct / 15 – 21h.
Performance DRIPPING – 13 Oct, 8 pm. Colaboration with Carmo Posser. Castel d´If

 

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2017 / Repetição / Repetition, Sá da Costa Bookstore – Gallery, Lisbon

Photo credit: Stefan Von Laue, Carlota Mantero (left to right)

“A arte não pode ser desligada dos gestos que a produzem”

Intreview about the exhibition (text in portuguese)

Press release (text in portuguese)

Os desenhos e as esculturas nesta exposição são o resultado de gestos performativos repetidos até à exaustão do corpo; é nesse ponto que o gesto encontra um ambiente de abandono produtivo – a repetição, ela própria, que se torna método e estilo.

A resiliência física adquire-se ao longo deste processo.

O acidental e o impreciso dão sentido ao desconforto, compondo nuances, aceitando desvios, desafiando a perícia. Creio por isso, que riscar, embeber, deixar escorrer, sobrepor, gestos realizados horas a fio, disfarçam uma procura permanente do depois, uma ansiedade perante o todo diverso, o imperativo de afastar comportamentos e regulamentos.

No meu caso, creio que a máquina não conduz este processo tão bem como o corpo que se transforma em máquina.

Marta

 

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2016 / Virgula / Comma, Geological Museum, Lisbon

Photo credit: Diogo Aureliano

, é a pontuação da cor que marca o ritmo da expressão plástica destes dois autores. Uma conversa entre os trabalhos abstractos dos dois artistas, que jogam cromaticamente no espaço.

Guilherme e Marta têm o mesmo ponto de partida – a cor e a luz num encontro de rugosidades reverberantes. Tendo estudado juntos e partilhado atelier, apesar da diferença geracional, afirmaram sempre esta característica nos seus trabalhos.

Duas perspectivas de pausas e inflexões, do enfatizar e separar. Um ritmo e uma plasticidade que articulam intuitivamente cor e material, sugerindo um lugar de calma e equanimidade.

 

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2011, untitled, pen and vinyl on paper, 97×79 cm

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2012, from “Lídia e António”

Quero ir a casa do António mas sei que as minhas pernas cansadas já não sobem a colina deixada para trás num momento de hesitação. Sendo assim, acho que vou a casa do Manuel, que perdeu as botas depois de ter descoberto meio mundo. Desisti. Não há desistências, há reajustes porque há golas que deixam a entretela sair pela cosedura do tecido. É a aridez que nos puxa os cordéis, até lá não somos alguém, até lá não tocamos nenhuma música. Até lá não pisamos nenhuma lava quente nem fomos ao fundo de qualquer corpo enformado. O Manuel, que eu muito admiro, arriscou perder as botas e perdeu-as embora querendo ganhar um lugar no pedestal do mundo. Mas é sem botas que andamos ligeiros. Eu só descobri o que não vejo nem toco, quando descalcei os calços que tinha atados nos tornozelos. E assim vamos, vamos sempre à beirinha do precipício, vamos sempre às cegas, cheios de vertigens, e não fazemos perguntas. Fazemos o que podemos. Vivemos como podemos. O Manuel tem, desde sempre, as suas angústias inexplicáveis mas desde que perdeu as botas elas são de outra natureza, porque a sua vida agora tornou-se cortante. Não há conforto. Estamos sempre de coração hirto. É por isso que eu queria ir a casa do António; lá deleitar-me-ia no prado florido e seria cravada ironicamente por raios solares calorosos.

Marta